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Nas entranhas da sua mente, vagueiam personagens estranhos, de atitudes inusitadas, metidos em trajes excêntricos e de cabelos extravagantes ("a hora e a vez do cabelo nascer"), que ditarão as modas até o fim dos dias. As atitudes desses personagens, de olhares atentos ou perdidos e bocas que emitem grunhidos, sussurros, poesias e cujos hálitos deixam no ar uma mistura de odores de Whiskies, Cubas Libres, Cervejas, fumos diversos e menta ou hortelã ("a gente sacudia os ossos no tempo do rock...").

Alguns desses personagens estão em páginas de gibis, de zines ou de revistas especializadas em música e outros estão sobre palcos empunhando contrabaixos, microfones ou guitarras estridentes que soam melhor no escuro ou sob frenética iluminação e que levam o seu EU a perceber com distinção: sensualidades, problemas e soluções ("Sex, Drugs and Rock and Roll").

Esse conhecimento é de alguém que vivencia o que cultua ("Quanta coisa estranha eu guardo dentro dos órgãos"); que curtiu o seu primeiro show de rock dentro de uma das caixas de som da aparelhagem da banda ("eles são os anjos do inferno"), e por isso, sente até hoje o desvio temporário do limiar auditivo daquele dia(zumbidos do rock); que tenha cavalgado pelos asfaltos de "Gotham City" com sua garota na garupa ("Hey, cuidado que cavalo não desce escada"), inspirado talvez, no fato de que Bruce Wayne tenha assistido ao filme do Zorro antes de se tornar o Batman; que apenas pela capa de um disco de vinil, consegue detectar o estilo, o peso e a qualidade do que está gravado nele e que transitou pelos meandros da cultura e da contracultura.

Foi a esse seu acervo que Rick recorreu para espancar as sombras que haviam sobre os espaços cultuados no tempo e nos mostrar a inclinação cultural da cidade (Um ponto futuro...distante...ausente) em “Um passeio nos ruídos urbanos de São Caetano”.

Claudio Rogério Braco
Membro da Academia de Letras da Grande São Paulo
Sob a cadeira de Manuel Bandeira